Desvendando o Apocalipse: as sete trombetas

Os capítulos 8 e 9 apresentam a terceira cadeia histórica do livro. O tema central é a abertura do sétimo selo. Uma nova corrente profética, composta de sete trombetas. Nas profecias, os toques de trombetas são emblemas de guerra; e, nesta revelação, o teor da profecia já indica isso mesmo, aliás, guerras de conquista e aniquilamento, movidas por poderes levantados contra o império mais opressor da história do mundo – o Império Romano.

Apocalipse 8:1: “Quando ele abriu o sétimo selo, fez-se silêncio no céu por cerca de meia hora.”

Que acontecimento será esse que fará com que cessem os coros e as orquestras celestiais por quase meia hora? Em Sua segunda vinda, Jesus virá acompanhado de todos os anjos do Céu. Assim sendo, haverá silêncio no Céu, enquanto não regressarem com os salvos de todos os tempos.

A meia hora de silêncio no Céu não será literal, mas profética, como o resto do Apocalipse. Para sabermos o tempo exato de quase meia hora profética, temos que dividir um dia profético por 24 horas. Um dia profético equivale a um ano, ou melhor dito – 24 horas proféticas. E, mais ainda, o ano profético compreende 360 dias literais.

Agora, para termos o tempo exato de “quase meia hora” profética, teremos que, em primeiro lugar, dividir 360 dias por 24 horas. E o resultado da operação será 15 dias. Quer dizer que uma hora profética equivale a 15 dias literais. Então, meia hora profética equivale a sete dias e meio. Como a profecia não fala em meia hora, ou sete dias e meio, mas em “quase meia hora”, isso dá exatamente sete dias (uma semana). Eis o tempo que Jesus levará para vir buscar os salvos e regressar ao Céu.

Apocalipse 8:2: “E vi os sete anjos que estavam em pé diante de Deus, e lhes foram dadas sete trombetas.”

Profeticamente falando, trombeta é símbolo de guerra ou de graves acontecimentos políticos. Como as sete igrejas revelam a condição interna e os sete selos, a condição externa da igreja cristã, as sete trombetas demonstram evidentes guerras ou juízos que desabariam sobre os seus opressores, a começar com os primeiros que foram os romanos: Roma-Pagã Ocidental e Roma-Cristã Oriental.

Apocalipse 8:3: “Veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro. Foi-lhe dado muito incenso, para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono.”

Apocalipse 8:4: “E da mão do anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos.”

Antes dos sete anjos saírem de diante de Deus para cumprirem a sua missão, uma nova cena é apresentada na visão. Um novo anjo surge, não com trombeta, mas com um incensário de ouro, pondo-se “junto ao altar”. No Céu, há um único altar, aliás, o do incenso, que se encontra no primeiro compartimento ou lugar santo do santuário.

Mas quem é o anjo que se apresentou junto do altar para ministrar o incenso? Um anjo comum não pode exercer funções de sacerdote, pelo fato de o sacerdote ser um mediador entre o pecador e Deus, e os anjos jamais foram designados como tais. O Mediador entre o pecador e Deus é um só – Jesus Cristo. Daí o anjo ministrante da visão ser o próprio Senhor Jesus, não só porque já O vimos noutra visão ministrando no santuário, mas porque a revelação O apresenta também como um anjo, o “anjo do concerto”.

Se pudéssemos ser transportados ao santuário de Israel, veríamos ali o sacrifício contínuo (diário) dos sacerdotes. Todos os dias, um deles tirava fogo do altar e, enchendo o incensário, queimava o incenso. Enquanto a fragrância permeava o acampamento, ela servia como um chamado à oração.

Em um dia do ano, o Dia da Expiação, o trabalho era desempenhado apenas pelo sumo sacerdote. Enquanto ele oferecia o incenso sobre o altar, a congregação, em atitude solene, do lado de fora do santuário, dedicava-se à oração. Jesus Cristo, nosso Sumo Sacerdote celestial, ainda faz intercessão por nós no santuário celestial. Nossas orações sobem até Ele como suave incenso.

Apocalipse 8:5: “Então o anjo tomou o incensário, encheu-o de fogo do altar e o lançou sobre a terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e terremotos.”

O mesmo fogo do altar que produz a nuvem de incenso que sobe para Deus com as orações dos santos é lançado na Terra, produzindo efeitos tremendos. A mesma graça que absolve o pecador torna-se condenação ao ímpio.

Para os justos, o ato do lançamento do fogo do altar sobre a Terra indica que a obra da mediação terminou. Não mais será oferecido incenso pelas orações. Por pouco tempo, os justos terão que viver sem mediação até o aparecimento do seu Senhor para arrebatá-los da Terra.

E para os ímpios que desprezaram o amor de Deus, indica o fechamento definitivo da porta da graça. Por isso, após o lançamento do fogo do altar sobre a Terra, seguem-se “vozes e trovões, relâmpagos e terremotos”, anunciando a recompensa dos ímpios. As mesmas cenas são descritas noutras visões do Apocalipse.

Apocalipse 8:6: “Então os sete anjos que tinham sete trombetas prepararam-se para tocar.”

Nos tempos bíblicos, a trombeta era usada para convocar grandes reuniões do povo (Lv 23:4), ou para anunciar a aproximação de grande calamidade ou guerra.

As sete trombetas anunciariam guerras ou juízos que desabariam sobre os opressores de todos os tempos da igreja de Deus na Terra. Segundo as profecias bíblicas na era cristã, o inimigo do povo de Deus é Roma. Primeiro, a pagã. Depois, a cristã. E, por último, a papal.

Por isso:

As quatro primeiras trombetas se referem ao colapso da Roma-Pagã, no Ocidente;

As duas seguintes: a derrota da Roma-Cristã, no Oriente;

A sétima: o colapso da Roma-Papal e de todos os persistentes inimigos da igreja de Deus.

A profecia de Daniel 2 fala da divisão do Império Romano (representado pelas pernas de ferro) através da divisão da Europa (representada pelos pés e dedos). Cada trombeta que soou era como uma martelada na estátua de Daniel 2.

Até 1844, data em que a mediação através da apresentação do incenso fora realizada no lugar santo do santuário, Roma foi, indiscutivelmente, o poder inimigo único da igreja de Cristo, sendo que, desse ano para cá, outros poderes fizeram-se também adversários abertos da igreja de Cristo, os quais cairão, pelo toque da sétima trombeta, com o resto de Roma.

Apocalipse 8:7: “O primeiro anjo tocou a sua trombeta, e houve saraiva e fogo misturado com sangue, que foram lançados na terra. Foi queimada a terça parte da terra, e terça parte das árvores, e toda a erva verde.”

Naqueles dias, quando João recebeu a revelação, somente três partes da Terra eram conhecidas:

1) A Europa, tendo Roma por capital.

2) A Ásia, ou Oriente, tendo Constantinopla por sede.

3) A África, tendo Cartago por cidade líder.

Essa era também a tríplice divisão do Império Romano naqueles dias. É por isso que as primeiras trombetas indicam essas três partes da Terra, quando não eram ainda conhecidas a América e a Oceania, que completam hoje as cinco partes ou cinco continentes do mundo. Portanto, aqueles três continentes compunham todo o Império Romano.

Sucede que o Império Romano foi dividido em três partes entre os três filhos de Constantino:

1) Constâncio ficou com a Ásia.

2) Constantino II ficou com parte da Europa.

3) Constante, ficou com a Itália e a África.

Assim, cada uma dessas divisões do Império Romano representava uma terça parte do mundo então conhecido, como mencionado na profecia.

A primeira trombeta – Alarico e os visigodos

Alarico, com seus visigodos, foi o primeiro terrível inimigo de Roma a atacá-la. Ele continuou os ataques até que quebrou a espinha do poder romano. Seus constantes ataques eram como granizo estilhaçando a estátua de Daniel 2. A cidade de Roma foi cercada no ano 410 d.C.

Alarico costumava atacar pelas montanhas, queimando tudo que encontrava pelo caminho. Cidades inteiras e vilas foram queimadas, e o sangue escorreu pelas ruas.

Apocalipse 8:8: “O segundo anjo tocou a trombeta, e foi lançado no mar como que um grande monte ardendo em fogo, e tornou-se em sangue a terça parte do mar.”

Apocalipse 8:9: “E morreu a terça parte das criaturas viventes que havia no mar, e foi destruída a terça parte dos navios.”

A segunda trombeta – Genserico e os vândalos

O primeiro ataque foi por terra; o segundo, pelo mar. Os exércitos germanos de Genserico, rei dos vândalos, atacaram Roma. A segunda trombeta trata de uma batalha naval. Eles causaram tanto estrago que até hoje utilizamos a expressão vandalismo.

Genserico caiu sobre Roma como uma montanha em chamas, deixando destruição desde Gibraltar até a foz do Nilo.

Os vândalos levaram os candelabros dourados que Tito saqueara do templo de Jerusalém. Os ataques de Genserico, fiéis à profecia, foram quase todos pelo mar. Em uma noite, ele destruiu metade dos navios que pertenciam a Roma, na batalha de Cartago, destruindo 1.113 navios e matando mais de 100 mil homens.

Apocalipse 8:10: “O terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela, ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas;”

Apocalipse 8:11: “o nome da estrela era Absinto. A terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, que se tornaram amargas.”

A terceira trombeta – Átila e os hunos (os bárbaros)

O primeiro ataque ao Império Romano foi feito por terra, o segundo pelo mar e o terceiro pelo rio. Na expressão “a terça parte dos rios” está claro que a “grande estrela” iria cair sobre os rios Danúbio e Reno que abastecem os principais rios do continente.

O terceiro ataque foi feito pelos hunos sob o comando de Átila, cujo apelido era “O Flagelo de Deus”. Enquanto Genserico e os vândalos atacavam pelo mar, a invasão dos bárbaros, chefiados por Átila, começou pelo rio Danúbio destruindo tudo o que encontravam pelo caminho.

Átila se gabava de que onde ele pisava a grama não crescia mais. Ele veio pelos grandes rios: o Reno (na França e na Itália), o Pó e o Danúbio. A batalha mais importante foi na França, ou Gália, como era chamada, no ano 451 d.C. No total, 300 mil homens morreram nessa batalha, e ali a Europa foi separada da Ásia.

Tão subitamente como apareceu, Átila desapareceu. Esse mistério foi comparado a um meteoro que aparece de repente como uma grande estrela cadente e então desaparece. Muitas pessoas morreriam nos rios e riachos daquela parte da Terra, como se uma estrela sinistra caísse nas águas e elas se tornassem amargas como o absinto.

O absinto é uma planta muito amarga e que exala um cheiro forte e penetrante, como amargas foram as conseqüências da queda da “grande estrela” na região prevista pela profecia.

Apocalipse 8:12: “O quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, a terça parte da lua e a terça parte das estrelas, de modo que a terça parte deles se escureceu. A terça parte do dia não brilhou, e semelhantemente a da noite.”

Apocalipse 8:13: “Enquanto eu olhava, ouvi uma águia que, voando pelo meio do céu, dizia com grande voz: Ai, ai, ai dos que habitam sobre a terra! Por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos que ainda vão tocar.”

A quarta trombeta – Odoacro e os hérulos

Soa a quarta trombeta, e finalmente Roma Ocidental desaba por inteiro. Outro exército da Alemanha, chamada de Germânia, vai para a Itália. As tribos dos hérulos, lideradas por Odoacro, um dos generais de Átila, começaram o ataque.

Esses lenhadores da Germânia penetraram bem no coração do Império Romano, tiraram o rei do trono e Odoacro colocou a coroa em sua própria cabeça. As “luzes” de Roma começavam a se apagar. O imperador era referido como o Sol, e os senadores e cônsules como as estrelas. Em primeiro lugar, o imperador foi destronado, de acordo com a profecia de que o Sol se apagaria. Os senadores e cônsules continuaram a brilhar por mais um tempo, e então a escuridão cobriu totalmente a rainha das nações – Roma.

A queda do Império Romano do Ocidente, no ano 476, sob a espada de Odoacro, deu por encerrada a história do que foi o cruel império de ferro. Roma perdeu a glória que desfrutou por mais de doze séculos, de 753 a.C a 476 d.C, de ser a metrópole do mundo.

Então, segundo a profecia, se fez noite completa no Ocidente romano.

A idéia parece ser que os astros seriam feridos durante a terça parte do tempo em que brilhavam, e não que a terça parte deles seria ferida de maneira que brilhariam com dois terços do seu brilho. Portanto, uma terça parte do dia e uma terça parte da noite se escureceriam. Esta figura, aplicada às divisões do governo romano, pode descrever a extinção sucessiva dos imperadores, senadores e cônsules.

A queda total da supremacia de Roma no Ocidente, determinada pelos sucessos das quatro primeiras trombetas, trouxe completa nova ordem de coisas à Europa ou ao Ocidente. Surgiram novas formas de governo, novos países, novos líderes políticos, novas leis, novas línguas e novos costumes. Foi, por assim dizer, fundado um novo continente que deu origem à Europa de nossos dias.

É anunciado que as últimas três trombetas seriam mais severas do que as primeiras que já tinham soado. Acontecimentos de conseqüências ainda mais terríveis e maior alcance tomariam lugar. A quinta e a sexta trombetas deram fim ao Império Romano do Oriente, e a sétima trombeta, que ainda não aconteceu, marcará o fim do império mundial dos reinos da força.

(Texto da jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirado na palestra do advogado Mauro Braga.)

Leia os outros textos da série clicando no marcador “apocalipse”, logo abaixo.

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