Parábolas de Jesus: o bom samaritano


“Quem é o meu próximo?” Essa questão suscitava discussão entre os judeus. Na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-37), Cristo respondeu. Mostrou que nosso próximo não é apenas alguém da mesma religião a que pertencemos ou alguém de nossa família, amigos ou alguém que admiramos. Não tem a ver com nacionalidade, cor, credo ou distinção de classe. Nosso próximo é toda pessoa que precisa da nossa ajuda. Nosso próximo é todo aquele que é propriedade de Deus.

Na história do bom samaritano, Jesus ensina a natureza da verdadeira religião. Mostra que a verdadeira religião consiste não em sistemas, credos ou cerimônias, mas no cumprimento de atos de amor para com os outros.

Lucas 10:25: “E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”

Lucas 10:26: “Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas?”

A pergunta feita a Jesus por um “doutor da lei” deixa claro nas entrelinhas que havia segundas intenções. O judeu tinha consciência de que ele próprio não tratava igualmente todas as pessoas com amor. E essa era uma realidade entre os israelitas. Então, pergunta: “Que farei?”

Essa pergunta revela um conceito de salvação totalmente equivocado. Para ele, como para a maioria dos judeus do seu tempo, a salvação era obtida por meio de obras. Não havia entendimento da graça divina. Ocorre que, sendo um especialista em leis, o doutor conhecia bem a resposta à sua pergunta. Mas como sustentava a crença de que os pagãos e os samaritanos não deviam ser considerados como “próximos”, na realidade sua pergunta era: “Qual dos israelitas é o meu próximo?”

Jesus aproveitou a pergunta capciosa para abordar essa questão fundamental. Os fariseus tinham sugerido essa pergunta ao doutor da lei “com o intuito de pôr Jesus à prova”. Mas Jesus não entrou em discussão, como pretendiam. Respondeu à pergunta com outra pergunta: “Que está escrito na lei?”, fazendo com que o próprio doutor respondesse.

Lucas 10:27: “A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”

Lucas 10:28: “Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás.”

Em sua resposta, o doutor não citou as cerimônias e rituais israelitas. A estes não deu importância. Preferiu dar maior relevância aos dois grandes princípios de que dependem toda a lei e os profetas. Ao concordar com a resposta do doutor da lei, Jesus ficou em posição vantajosa diante dos rabinos. Não podiam condená-Lo por confirmar aquilo que fora dito por um expositor da lei.

Em seus ensinos, Jesus sempre apresentava a unidade da lei divina, mostrando que é impossível guardar um preceito e violar outro; porque é o mesmo princípio que sustenta toda a lei. O amor a Deus e o amor ao próximo são os dois princípios em que se resumem os Dez Mandamentos. É impossível guardar os quatro primeiros mandamentos sem amar a Deus, assim como é impossível guardar os outros seis sem amar ao próximo. E o amor é o princípio em que se baseia toda a lei.

Cristo sabia que ninguém poderia cumprir a lei por sua própria força. Por isso, pretendia induzir o doutor da lei a um estudo mais esclarecido e minucioso para que achasse a verdade. Somente aceitando a graça de Cristo podemos observar a lei. A fé na propiciação pelo pecado habilita o homem caído a amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo.

O doutor sabia que não conseguia guardar completamente os dez mandamentos. Foi conscientizado disso pelas palavras de Jesus. Mas em vez de confessar o seu pecado, procurou justificar-se. Em vez de reconhecer a verdade, tentou mostrar como é difícil cumprir os mandamentos. Desse modo esperava justificar-se aos olhos do povo. As palavras de Jesus lhe mostraram que ele mesmo sabia a resposta para a pergunta que havia feito.

Lucas 10:29: “Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?”

Fugindo da controvérsia para a qual os fariseus pretendiam arrastá-Lo, Jesus respondeu a essa importante pergunta com uma parábola. Não denunciou a hipocrisia dos que O estavam espreitando para O condenar. Mas, mediante uma singela história, apresentou aos ouvintes a natureza do verdadeiro amor, de tal forma que tocou o coração de todos e arrancou do doutor da lei a confissão da verdade. O meio de dissipar as trevas é admitir a luz. O melhor meio de tratar com o erro é apresentar a verdade. É a manifestação do amor de Deus que torna evidente o pecado do coração concentrado em si mesmo.

Lucas 10:30: “Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto.”

Lucas 10:31: “Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo.”

Lucas 10:32: “Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo.”

O que Jesus descreveu não era uma cena imaginária, mas uma ocorrência verídica que ocorria com muita freqüência naqueles dias. O sacerdote e o levita, que estavam passando pelo local e não pararam para socorrer o ferido, encontravam-se entre o grupo que estava escutando atentamente as palavras de Cristo.

Como Jerusalém está a 800 metros acima do nível do mar e Jericó a 400 abaixo, a estrada é bem acidentada. Em menos de 30 quilômetros, ela desce 1.200 metros. Além disso, os muitos despenhadeiros e passagens estreitas facilitavam o ataque de bandidos que ficavam espreitando suas vítimas. Por isso, segundo a parábola, naquele lugar o viajante foi atacado, roubado, ferido e machucado, sendo deixado meio-morto à beira do caminho.

Estando nessas condições, um sacerdote passou por aquele caminho, viu o homem ferido, mas não lhe prestou socorro. Apareceu em seguida um levita. Curioso de saber o que acontecera, observou a vítima quase morta. Sentiu a convicção do que devia fazer, mas não era uma tarefa fácil. Desejou não ter ido por aquele caminho, de modo que não visse o ferido. Convenceu-se de que nada tinha com o caso e também seguiu o seu caminho. Ambos, tanto o sacerdote como o levita, ocupavam postos sagrados e professavam expor as Escrituras. Pertenciam à classe especialmente escolhida para servir de representantes de Deus perante o povo.

Na conduta dos dois, não viu o doutor da lei coisa alguma contrária ao que lhe fora ensinado sobre as reivindicações da lei. Aliás, para ele, esses homens tinham razões legítimas para recusar-se a ajudar o ferido. Eles podiam estar a caminho de algum serviço religioso, ou talvez estivessem preocupados com o perigo de ficar impuros (Lv 21:1-3; Nm 19:11-22) e ter que passar por rituais de purificação (o que, algumas vezes, tomava vários dias). E havia também a questão da segurança pessoal. Então, Jesus introduz na história uma nova cena.

Lucas 10:33: “Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele.”

Lucas 10:34: “E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele.”

Lucas 10:35: “No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar.”

Os judeus eram inimigos dos samaritanos. Desde os dias de Esdras, os samaritanos foram misturados com os pagãos, durante as conquistas da Assíria e Babilônia (2 Reis 17:24-41). Os samaritanos ergueram um templo rival no Monte Gerizim e passaram a aceitar apenas os primeiros livros da Bíblia. Por tudo isso, os hebreus encaravam a religião dos samaritanos como impura.

Entretanto, um samaritano que viajava pela mesma estrada viu a vítima e fez o que os outros não fizeram: com carinho e amabilidade tratou do ferido. Não indagou se o estranho era judeu ou gentio. Fosse ele judeu, bem sabia o samaritano que, invertidas as posições, o homem lhe cuspiria no rosto e passaria desdenhosamente. Mas nem por isso hesitou. Não considerou que ele próprio se achava em perigo de assalto, se demorasse naquele local. Bastou-lhe o fato de estar ali uma criatura humana em necessidade e sofrimento.

Tirou o próprio vestuário para cobri-lo. O óleo e o vinho, provisão para sua viagem, empregou-os para curar e refrigerar o ferido. Colocou-o em sua cavalgadura e pôs-se a caminho devagar, a passo brando, de modo que o estranho não fosse sacudido. Conduziu-o a uma hospedaria, cuidou dele durante a noite. Pela manhã, como o doente houvesse melhorado, o samaritano decidiu seguir viagem, não sem antes se certificar de que o ferido receberia os cuidados e a atenção do hospedeiro. Pagou as despesas e ainda deixou uma reserva para qualquer necessidade eventual. O fato de o samaritano estar viajando por um território estrangeiro torna seu ato de misericórdia mais notável ainda.

Dando essa lição, Jesus apresentou os princípios da lei de maneira direta e incisiva, mostrando aos ouvintes que o sacerdote e o levita tinham negligenciado a prática desses princípios. Suas palavras eram tão definidas e acertadas que os ouvintes não podiam contestá-las. O doutor da lei não encontrou na lição nada que pudesse criticar. O samaritano cumprira o mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, mostrando assim ser mais justo do que os que o condenavam.

Muitos olham com indiferença e desdém para aqueles que arruinaram seu corpo. Outros desprezam os pobres por diferentes motivos. Ainda assim, pensam estar trabalhando na causa de Cristo em empreendimentos de maior valor. Sentem que estão fazendo grande obra e não podem por isso se deter em cuidar das dificuldades do necessitado e do infeliz. Apesar disso, imaginam estar se dedicando a uma suposta grande obra. Acham que sua negligência é justificável, porque estão promovendo a causa de Cristo de outra forma.

Muitos se denominam cristãos, mas isso quase nada vale. Podemos professar ser seguidores de Cristo; podemos professar crer em todas as verdades da Palavra de Deus; mas isto não fará bem ao nosso próximo, a não ser que essa crença possa ser vista em nossa vida diária. Um exemplo correto fará mais benefício ao mundo que qualquer profissão de fé. A religião do evangelho é Cristo na vida. É o amor de Cristo revelado no caráter e expresso em boas obras.

Onde quer que haja um impulso de amor e simpatia, onde quer que o coração se comova para abençoar e amparar os outros, é revelada a operação do Santo Espírito de Deus.

Se um doente espiritual necessita de amparo, como nós mesmos certamente também, em algum momento, já necessitamos, muito pode contribuir a experiência de alguém que fora tão fraco quanto ele, de alguém capaz de entendê-lo e ajudá-lo. O conhecimento da nossa própria debilidade contribui para que possamos ajudar a outros que estejam em necessidade.

Deus permite que tenhamos contato com o sofrimento para nos tirar do egoísmo e desenvolver em nós o atributo do Seu caráter: o amor. Através dessa abençoada experiência diária, aprenderemos tudo que está encerrado na pergunta: “Quem é o meu próximo?”

Lucas 10:36: “Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?”

Lucas 10:37: “Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo.”

Concluída a história, Jesus fixou o doutor da lei com um olhar que lhe parecia ler a alma, e disse: “Qual dos três foi o próximo do homem ferido?” O doutor mesmo assim evitou mencionar o nome samaritano, e respondeu: “O que usou de misericórdia para com ele.” Jesus disse: “Vai, e procede da mesma maneira.”

A parábola do bom samaritano tem nos ajudado a entender que temos de ajudar as pessoas que são vítimas de circunstâncias que estão além do seu controle, tanto quanto as que entram em problemas por causa de si mesmas, e que nossa ajuda têm de ser prática, não apenas a demonstração de um sentimento. A verdadeira compaixão se traduz em atos de bondade. Só quem ama a Deus, ama ao próximo (Lv 19:18; Dt 6:5).

Afinal, quem é o meu próximo? A resposta correta é: “Qualquer pessoa que precise de minha ajuda.”

OS ATOS DO BOM SAMARITANO:

1. O odiado samaritano logo reparou que o ferido era judeu; alguém que odiava sua raça; alguém de outra religião; alguém que certamente jamais o ajudaria, se as posições estivessem invertidas.

2. Mas isso não importava, quem estava ali precisando desesperadamente de ajuda era um ser humano.

3. Arriscou sua vida por ele.

4. Vendo-o, sentiu compaixão por ele. Tudo o mais foi apenas o resultado da misericórdia.

5. Tratou do ferido disponibilizando, para tanto, os seus próprios recursos.

6. Usou parte do alimento que trazia consigo para a viagem: o vinho para limpar as feridas e o azeite para suavizar a dor.

7. Depois, colocou-o (esforço) sobre o animal (patrimônio) e ele próprio foi a pé (sacrifício).

8. Chegando a uma hospedaria, cuidou dele durante a noite (tempo).

9. Deu dois denários (oferta à causa de Deus) ao hospedeiro.

CRISTO, O BOM SAMARITANO

1. O judeu ferido, caído, despojado e incapaz de ajudar a si mesmo, ilustra nossa condição como pecadores.

2. Nós também fomos atacados pelas forças do mal.

3. Quando nos viu à beira da morte, Cristo não passou direto; arriscou Sua vida para nos salvar, mesmo embora fôssemos Seus inimigos.

4. Deus não tinha obrigação de resgatar o homem caído. Ele podia ter passado pelos pecadores assim como o sacerdote e o levita fizeram em relação ao homem ferido.

5. O samaritano deu o seu vinho para que as feridas fossem limpas e o Senhor Jesus nos concedeu Seu precioso sangue para nos lavar de todo o pecado.

6. O samaritano deu o seu azeite para aliviar a dor e o Senhor Jesus nos ofereceu o Santo Espírito para nos consolar e capacitar a viver uma vida justa num mundo injusto.

7. Em Sua missão de salvar o ferido, o samaritano deu o seu tempo e o Senhor Jesus nos concedeu 33 anos de uma vida perfeita.

8. O samaritano fez tudo quanto estava ao seu alcance, dispondo de seu dinheiro e o Senhor Jesus deu tudo quanto possuía; deu todo o Céu para restaurar no homem a imagem de Deus.

Esta parábola descreve a bondade e o amor que nosso Salvador tem para com o homem caído e infeliz. Nós éramos como esse pobre, aflito viajante. Satanás, nosso inimigo, havia nos assaltado, despojado, ferido. Estávamos por natureza mais que semimortos em nossos delitos e pecados; completamente incapazes de nos salvar, pois não tínhamos forças. A lei de Moisés, como o sacerdote e o levita, não tem compaixão de nós, não nos oferece alívio, passa ao largo, não tendo piedade nem poder para nos ajudar. Mas eis que veio o abençoado Jesus, o Bom Samaritano. Ele teve compaixão de nós; Ele cuidou das nossas feridas; Ele derramou sobre elas não azeite e vinho, mas o Seu próprio sangue.

As pessoas que se relacionaram com o homem ferido podem ser classificadas em três grupos, de acordo com a sua filosofia de vida:

COBIÇA (os assaltantes) – “O que é meu, é meu; e o que é seu, será meu, se eu conseguir tomar de você.” Essa é a filosofia de muita gente. Milhões vivem uma vida de egoísmo e ganância.

INDIFERENÇA (o sacerdote e o levita) – “O que é meu, é meu; e o que é seu continuará a ser seu, se você puder defendê-lo.” Essa é a filosofia de alguns religiosos que são indiferentes à dor e ao sofrimento alheios.

AMOR (o bom samaritano) – “O que é seu, é seu; e o que é meu será seu, se você precisar.” O meu vinho, o meu azeite, o meu animal, o meu dinheiro, a minha energia e o meu tempo serão seus, se você precisar. As oportunidades de ajudar aos outros geralmente são inesperadas e inconvenientes.

Qual tem sido a nossa filosofia de vida? A dos assaltantes, a do sacerdote e do levita, ou a do bom samaritano? O que caracteriza o nosso relacionamento com o próximo? A cobiça, a indiferença ou o amor?

(Texto da jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirado na palestra do advogado Mauro Braga.)

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Um comentário em “Parábolas de Jesus: o bom samaritano

  1. Exelente comentario, tirei grandes liçoes e creio que este comentario ajudara muitas pessoas a servirem melhor ao Senhor Jesus; e ao seu proximo. Parabens.

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