O auto-conceito influi diretamente na capacidade que uma pessoa possua de perdoar. Somente é possível administrar o perdão quando se tem, digamos, saldo. Quem recebeu da Mão perfurada as gotas de sangue purificador é incapaz de considerar os outros como imperdoáveis; isto porque a consciência de sua falta pessoal não se esvaiu quando o Céu o pronunciou justo (sem mérito próprio).
Nenhum crime é tão grave quanto o do cristão, que sabe que deve a singeleza de sua respiração à misericordiosa obra da cruz – matamos o Cordeiro de Deus. Todo homem é indigno de reter de seu próximo aquilo que graciosamente obteve de Deus.
As questões morais ferrenhas, que exigem grande coragem e desprendimento, têm de ser compreendidas à luz do perdão factual de Deus. Não se deve ter em vista o nosso senso distorcido de justiça, equivalente à vingança; isso leva a arbitrariedade, ao tradicional “olho-por-olho, dente-por-dente”.
Nada que fizerem contra nós será tão ofensivo quanto o que fizemos contra o Cristo. E, no entanto, Seu perdão nos alcança tão certamente quanto a luz balbuciante de uma manhã de primavera. Seu perdão é o suprimento feito para nos abastecer.
Cerro a alma ao perdão divino quando me recuso a agir magnanimamente. Ou quando soletro jocosamente a última concessão e retorno à rotina de ações moralmente destrutivas. O abuso do perdão leva a desqualificação para apreciá-lo. Ainda assim, isso afeta a quem, volitivamente, não o recebe, jamais a quem se dispôs a oferecê-lo.
fonte: questaodeconfianca.blogspot.com






