As testemunhas de Jeová e a transfusão de sangue

(Exclusivo blog www.criacionismo.com.br)

 

Por que as testemunhas de Jeová não permitem a transfussão de sangue. Em que textos bíblicos elas se baseiam? – K.

A doutrina de que Deus veda e abomina uma medida eficacíssima de salvar vidas humanas, a transfusão de sangue humano, é relativamente nova na sistemática jeovista. Russell jamais pensou nela. Rutherford, idem. Mas logo após a morte do “juiz”, ocorrida em janeiro de 1942, já nos corredores da sede da Sociedade Torre de Vigia se cochichava alguma coisa a respeito da transfusão de sangue. Era ainda uma coisa vaga, que só três anos mais tarde assumiria definitivamente foros de doutrina a ser finalmente incorporada pela organização.

Sob a direção de Nathan Knorr, os “doutores da lei” do neorusselismo, a princípio timidamente, começaram a propalar a grande “descoberta”: a transfusão de sangue é proibida pela Bíblia. E sem levar em conta o fato indisputável de que a Bíblia nem toca neste assunto, totalmente desconhecido nos tempos bíblicos, a revista The Watchtower (A Torre de Vigia), em sua edição (em inglês) de 1° de julho de 1945, pela primeira vez anunciou, num artigo intitulado “A santidade do sangue”, que “a transfusão do sangue humano constitui violação do concerto de Jeová, ainda que esteja em jogo a vida do paciente”.

O pensamento jeovista sobre este assunto baseia-se unicamente numa interpretação errônea, livre, extra-contextual e inteiramente descabida das regras do sacerdócio levítico pertinentes ao sangue sacrifical dos animais. Citam livremente os versículos, sempre isolados do contexto, sempre separados do assunto a que se prendem.

Os textos mais usados são os seguintes:

Gênesis 9:4 – “Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.” Quem disse aos jeovistas que isso se refere à transfusão de sangue? Após o Dilúvio, não havendo ainda vegetação suficiente para alimento, Deus diz a Noé que, naquela contingência, podia usar alimentação cárnea, porém com o cuidado de tirar-lhe previamente o sangue. Não há aí nenhuma alusão, nem remota, ao sangue humano, e muito menos se refere a transfusões. O assunto é carne de animais. O assunto é alimentação por via oral. É comer, digerir, alimentar-se.

Levítico 3:17 – “Estatuto perpétuo será durante as vossas gerações, em todas as vossas moradas: gordura nenhuma nem sangue jamais comereis.” Primeiramente o adjetivo “perpétuo”, empregado no hebraico, é holam, e significa duração enquanto durar o fato a que se junta. As festas judaicas, luas-novas, páscoa, o sacerdócio arônico, etc., também eram “estatuto perpétuo”, mas não se celebram mais. Em segundo lugar, a proibição, no texto em tela, também se aplica ao consumo de gordura animal, e os jeovistas ainda não resolveram inventar um dogma sobre isso, para serem coerentes. Em terceiro lugar, o texto acima se refere a ofertas queimadas, e a parte dela que devia ser comida, com exceção da gordura e também do sangue. Essas razões serão explicadas mais adiante, mas o assunto ainda é alimentação via oral, e pertinente à carne, gordura e sangue de animais. Nada de humano. Nada de transfusão. Leia os versículos anteriores, com isenção de ânimo, e você terá o sentido exato. Para que distorcer?

Levítico 7:27 – “Toda Pessoa que comer algum sangue, será eliminada de seu povo.” Por que as testemunhas não apresentam o contexto? O versículo anterior dá claramente que é sangue de animais: “Não comereis sangue em qualquer das vossas habitações, quer de aves, quer de gado.” Não há a menor referência a sangue humano, e obrigar a significar transfusão é afirmar que minha avó é bonde elétrico! O assunto é alimentação por via bucal, refere-se a comer e digerir, e não a sangue transfundido.

Levítico 17:10, 11 e 14 – “Qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que comer algum sangue, contra ele Me voltarei e o eliminarei do seu povo.” “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas: porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida.” “Porquanto a vida de toda carne é o seu sangue; por isso tenho dito aos filhos de Israel: Não comereis o sangue de nenhuma carne, porque a vida de toda a carne é o seu sangue; qualquer que o comer será eliminado.” As testemunhas costumam disparar estes três versículos juntos, e com muita ênfase, para tentar provar a tese contra a transfusão sangüínea, mas com deliberada má fé, porque omitem o contexto. Porque pulam exatamente o versículo 13 que esclarece: “Qualquer homem que caçar animal ou ave que se come, derramará o seu sangue, e o cobrirá com pó.” Aí está o sentido correto. É simplesmente o que a Bíblia diz. A Bíblia em lugar algum se refere a comer sangue humano, e isso porque não havia canibalismo entre os israelitas. A lei de Deus tem um mandamento “Não matarás”, no qual incorre inclusive quem permite que outros morram quando pode salvar-lhes a vida, como no caso da transfusão de sangue. Deus abominava e abomina a antropofagia. “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu.” Gên. 9:6. Aqui se refere ao homicídio e não às transfusões. Deus proíbe sacrificar pessoas a Moloque (Lev. 20:1-5). Portanto, todos os sacrifícios abonados por Jeová eram de animais, e o sangue desses animais não devia ser ingerido como alimento.

Levítico 19:26 – “Não comereis coisa alguma com sangue.” A ordem é não comer carne com sangue. Carne de animal. Não há referência a transfusões.

Atos 15:20, 29; 21:25 – São três versículos do Novo Testamento, idênticos na enunciação “que se abstenham (…) da carne de animais sufocados e do sangue.” “Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados (…).” “Quanto aos gentios que creram (…) que se abstenham das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne das animais sufocados (…).” Será que Tiago, na primeiro verso, estava aconselhando os cristãos a que se abstivessem de comer sangue humano? Se foi assim, então havia canibalismo ou antropofagia na igreja primitiva. A referência, nos três versos, é à carne animal, comida como alimento. Sempre evitar de ingerir o sangue.

Por aí se verifica que tudo resulta de falsa interpretação de textos que se relacionam com carne de animais. É verdade que Deus proíbe comer o sangue, bem como a gordura dos animais. Que razão havia para isso? Vamos dar a palavra a um cientista de renome e cristão, o Prof. Flamínio Fávero. Diz ele:

“1. Fundamentalmente [não se deve comer sangue] para inspirar ao homem o respeito pelo sangue. É prescrição, assim, de caráter moral. Pelo sangue se respeita a vida, de que o mesmo é símbolo e até sede… Quando se toma um animal morto violentamente, escorrendo sangue, tem-se a impressão de que a vida ainda lateja naquela carne quente, e que essa vida se extingue justamente quando se for a última gota de sangue. O corpo humano tem grande porção de sangue, cerca de 1/13 do seu peso, ou seja, cinco litros para um peso de 65 quilos. Quando aberto um vaso, há hemorragia, e a morte sobrevém desde que a metade desse líquido se perca. Pelo mecanismo chamado dessangramento processa-se uma anemia aguda, de graves conseqüências, que apenas uma injeção de outro sangue, de tipo adequado, pela transfusão, pode combater.

“O sangue é a vida… E é pela circulação desse líquido que se realizam todas as trocas vitalizadoras nos lugares mais distantes e escondidos da economia orgânica. Bem cabe ao sangue, pois, a sinonímia que a Bíblia lhe empresta, de vida. (…) Enquanto tiverem [os animais] sangue têm resquícios de vida. E a vida não nos pertence, não é nossa…

“2. Em paralelo com essa prescrição de caráter eminentemente moral, que apela para o respeito ao sangue, está outra de aspecto higiênico. (…) A quebra de preceito de higiene pode redundar em males gerais e individuais e, neste último caso, quando são capazes de atingir-nos, lembramo-nos de evitá-los. (…) O sangue não deve servir de alimento, porque é bastante indigesto, pelas albuminas bem resistentes dos seus glóbulos vermelhos e, ainda, pelo teor elevado de pigmento ferruginoso que os mesmos contêm. É desse pigmento, a hemoglobina, que deriva a cor vermelha especia1 que caracteriza o sangue dos mamíferos. E conforme a sua pobreza no mesmo, fala-se em maior ou menor grau de anemia, necessitando ser tratada por medicamentos contendo ferro ou que facilitem a sua fixação adequada.

“Como se não bastasse ser indigesto, o sangue se corrompe facilmente, putrefazendo-se. Basta sair dos vasos que o contém, para coagular-se, dividindo-se em uma parte sólida – o coalho – e outra líquida – o soro. E então, não tendo mais vida, os germes putrefativos invadem, transformando-o inteiramente, dando-lhe aspecto e cheiro repelentes. Compreende-se logo o que vai de perigoso no uso de alimento corrompido, cheio de toxinas venenosas, que causam grave dano à saúde e até a morte. Daí a sabedoria da Bíblia, mandando derramá-lo na terra, que o absorve. (…)” – Extraído do artigo “Não comereis o sangue de qualquer carne”, Fé e Vida, março de 1939, págs. 16 e 17 (itálicos acrescentados).

Falou a ciência autorizada. Uma coisa é alimentar-se, por via oral, do sangue de animais, que não deve passar pela química digestiva, tal o perigo que oferece à vida; e outra muito diferente é renovar a corrente circulatória, com o mesmo elemento que a compõe, depois da classificação técnica do tipo sangüíneo, repondo o sangue perdido, evitando a morte do paciente.

Quando ocorre uma transfusão, não se trata de comer sangue humano, nem de alimento, mas de reabastecimento circulatório, uma dádiva feita num espírito de misericórdia e caridade. As estatísticas da Cruz Vermelha, por exemplo, atestam que milhões e milhões de vidas preciosas foram salvas pela transfusão. Ao passo que, por outro lado, quantas vidas são ceifadas por falta de uma transfusão.

A Bíblia diz: “Não matarás.” Negar por vontade própria a transfusão salvadora, é matar, é transgredir a lei de Deus! E disse Jesus: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos.” João 15:13. E a vida é o sangue porque o sangue é a vida!

Quem quer que leia os Evangelhos, com espírito contrito, sem pensar nas extravagantes interpretações das “testemunhas de Jeová”, ficará impressionado com a atitude de Cristo em face do sofrimento alheio. Compadecia-Se dos doentes, curava-os, confortava-os onde os encontrasse. E nós, como servos Seus, como Suas testemunhas, devemos ter o mesmo espírito para com os doentes. Lemos em I João 3:16 que “devemos dar a vida pelos irmãos”.

As “testemunhas de Jeová” não mantêm nenhum hospital, nenhuma instituição de assistência social. Dizem que a missão deles é restaurar o nome de Jeová e não fazer caridade. Que a melhor caridade é fazer prosélitos. Mas quando está em jogo a vida humana, se depender de uma transfusão de sangue, não a aceitam nem a dão, e… que morra o paciente! Para eles a lei “Não matarás” foi abolida!

(Extraído do livro Radiografia do Jeovismo, de Arnaldo Christianini – CPB)

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10 comentários em “As testemunhas de Jeová e a transfusão de sangue

  1. As Testemunhas de Jeova é a unica Religiao que realmente segue a biblia e tem conhecimento muito profundo da palavra de Deus. Enquanto voces ficam implicando com as Testemunhas de Jeová porque voces nao fazem como elas de pregar o evangelio ?A biblia realmente manda obster-se de sangue .em Atos nao especifica se é sangue animal ou humano. mas obster -se está incluido todo o tipo de sangue ou seja animal ou humano.

  2. Rosangela, paz e graça. Você poderia nos enviar um comentário mais explicativo, sobre a questao de Atos, no capitulo e versiculos, ao qual você não cita em seu comentário. Ficarei muito feliz e agradecido por compartilhar as bençãos da palavra do Senhor.

  3. É mesmo!Eu já sabia que nós podemos doar sangue,pois havia estudado esta questão.Mas esses versos aprofundaram mais ainda a minha mente sobre o assunto.E pensar que muitas vidas foram ceifadas por uma falsa interpretação!
    Continue assim,Michelson.Deus te abençoe!

  4. Numa análise sincera, observamos que as Testemunhas de Jeová, tem chamado a atenção de muitos observadores, críticos e eruditos, pela forma como se coloca com relação a sua doutrina e seus mecanismos para se cercar de proteção, dando especialmente aos que se consideram críticos construtivos, um novo enfoque no que diz respeito a adorar ‘O Deus Supremo e Criador’ de todo o universo, em cujo contexto está o planeta terra e em essência o homem.
    Trata-se de um assunto que se avoluma para um controvertido debate analítico, isso até por questões de razões que na prática da vida real, é da natureza humana e psicanalítica no contexto religioso mundial.
    É sabido de todos nós que as Testemunhas de Jeová demonstraram, demonstram e pelo que nos parece ainda demonstrarão sem desistência, que a Bíblia precisa ser encarada com grande seriedade, não apenas como algo a se apegar; mas como que fazendo parte do ser humano individualmente; como se fosse o alimento e a água para não morrer de fome e sede – indo mais longe – para mantê-lo vivo desde já, e mais adiante diante das previsíveis grandes mudanças no cenário mundial que avança impetuosamente, somando-se incondicionalmente, o envolvimento de toda a humanidade. E pelo visto, é inconfundivelmente notória, a postura delas quanto as suas crenças e convicções, se corroboradas, através dos eventuais acontecimentos e fatos mundiais evidenciados ao longo das eras.
    Vale a pena ressaltar, que os prováveis membros Testemunhas de Jeová, só podem se adequar como sendo tais, se ‘estritamente’ acreditarem estar seguindo os conselhos e orientações da Bíblia, bem como aos que ela aponta como os usados por Deus qual encaminhadores rumo a salvação seguida de vida eterna incluindo como principal canal, o “sacrifício resgatador de Jesus Cristo”. Esta ótica pelo que nos parece, não necessariamente deve ser atribuída a frutos de sentimentos como; prepotência ou presunção; pois no que tange a uma avaliação bíblica bem fundamentada, torna-se evidente que o que se presume nas suas posturas e convicções demonstradas em termos de doutrina, é biblicamente aceitável, segundo o ponto de vista do Supremo Universal.
    Isso, admitidamente, por si só, tem sido objeto de preocupação para as demais denominações e suas autoridades religiosas em todo o globo.
    As Testemunhas de Jeová, de forma extraordinariamente abalizadas, tem ido ao extremo em mostrar que literalmente, Deus é indivisível não só por ser único – desvinculado das doutrinas trinitárias – mas também, por ter um só caminho e uma só religião na Terra, capaz de conduzir pessoas para receber a vida eterna; ainda que exemplarmente elas mesmas, passem por uma rigorosa inspeção e seleção divina.
    Inusitadamente, tem-se observado que os que se mantém firmemente como membros ao longo de suas vidas – ou até a morte, mostraram literalmente o exercício da chamada perseverança, qual atributo vital, delineado na Bíblia, objetivando a salvação. Quanto aos desistentes, tem sido do conhecimento dos eruditos que eles estão tentando de alguma forma orquestrada, se organizar para desacreditar as Testemunhas de Jeová e suas fileiras a começar pelo núcleo, bem como por coibir mundialmente as suas atividades ministeriais e doutrinais – manifestação essa, que se apresenta porem, sem nenhum resultado aparentemente significativo.
    Desta forma, As Testemunhas de Jeová, inquestionavelmente, se apresentam como a maior dentre todas as organizações do mundo, que se mantém pela sua força unificadora, compatíveis com a fé e a perseverança, em conformidade com as escrituras, mesmo em tempos de visíveis instabilidades estruturais, organizacionais e doutrinárias entre as outras denominações, especialmente agora em que vivenciamos momentos de grandes turbulências na esfera de todo o sistema global que com certeza, se encontra a beira de um terrível caos.

  5. As Testemunhas de Jeová e a Questão do Sangue
    O SANGUE é vital à vida. Embora isto já seja reconhecido desde os tempos antigos, a pesquisa moderna propicia maior entendimento das suas funções sustentadoras da vida.
    A prática de transfundir sangue humano ocupa um lugar destacado nos cuidados médicos modernos. Os que fazem parte do setor médico, e muitos outros, consideram a transferência de sangue de um humano para outro como método terapêutico aceitável. Mas, há pessoas que não aceitam transfusões de sangue. São as Testemunhas de Jeová.
    As Testemunhas de Jeová prezam e respeitam profundamente a vida. Esta é uma das razões pelas quais não fumam, não usam tóxicos, nem praticam abortos. Aprenderam, pela Bíblia, a considerar a vida como sendo sagrada, algo a ser protegido e preservado, tanto para elas mesmas como para seus filhos.
    Por que, então, as Testemunhas de Jeová objetam às transfusões de sangue? Existe alguma base racional para tal convicção, que elas sustentam até mesmo em face da morte? E é sua posição sobre o assunto totalmente incompatível com os conhecimentos e os princípios modernos da medicina?
    Este tópico deve interessar a todos da classe médica, pois, a qualquer hora, um médico pode confrontar a questão da transfusão de sangue. Isto é bem possível, visto haver mais de dois milhões de Testemunhas de Jeová em toda a terra. É provável que algumas delas morem em sua comunidade. O que se segue foi escrito a fim de ajudar os médicos a compreender as Testemunhas de Jeová como pacientes, e para que considerem como é possível haver uma adequação razoável do conceito delas. Primeiramente examinaremos a base religiosa da posição delas. Daí, iniciando na página 17, consideraremos a ética envolvida e algumas descobertas e observações recentes, da parte de médicos habilitados, que possam ser de valor prático na solução dos problemas relativos ao uso do sangue.
    Mesmo as pessoas que não fazem parte do setor médico são convidadas a examinar este assunto importante. A posição que as Testemunhas de Jeová assumem quanto ao sangue envolve realmente direitos e princípios que podem atingir a cada um de nós. E o conhecimento daquilo em que elas crêem, e da razão disso, ajudarão a pessoa a obter melhor entendimento desta questão que amiúde tem preocupado médicos, juristas e estudiosos da Bíblia. Quais, então, são os fatores básicos da questão?
    A BASE RELIGIOSA
    A maioria dos médicos encaram o uso do sangue como sendo essencialmente uma questão de critério médico, como as suas decisões diárias quanto ao uso de certos remédios ou processos cirúrgicos. Outros talvez encarem a posição das Testemunhas de Jeová como sendo mais uma questão de ordem moral ou legal. Talvez pensem em termos do direito à vida, da autoridade de fazer decisões sobre o próprio corpo, ou das obrigações civis do governo de proteger a vida de seus cidadãos. Todos estes aspectos têm que ver com o assunto. Todavia, a posição assumida pelas Testemunhas de Jeová é sobretudo religiosa; é uma posição baseada no que a Bíblia diz.
    Muitos talvez se indaguem sobre a validez da declaração acima. Estão a par de que numerosas igrejas apóiam o uso do sangue, estabelecendo programas de bancos de sangue e incentivando a doação de sangue. Assim sendo, surge logicamente a pergunta:
    O que diz a Bíblia sobre as criaturas humanas receberem sangue em seus corpos?
    Até mesmo pessoas que não consideram pessoalmente a Bíblia como sendo a inspirada palavra de Deus têm de admitir que ela tem muito o que dizer sobre o sangue. Desde o primeiro livro da Bíblia até o último, menciona-se o “sangue” mais de quatrocentas vezes. Certos versículos da Bíblia são especialmente pertinentes à questão de sustentar a vida com sangue. Examinemo-los brevemente:
    O registro bíblico mostra que, bem cedo na história da humanidade, o Criador e Dador da Vida expressou-se sobre a questão do sangue. Logo depois do dilúvio global, quando Deus concedeu pela primeira vez aos humanos o direito de comerem carne animal, ele ordenou a Noé e sua família: “Todo animal movente que está vivo pode servir-vos de alimento. Como no caso da vegetação verde, deveras vos dou tudo. Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer.” — Gênesis 9:3, 4.
    Primeiro de tudo, o Criador provia um regulamento alimentar numa ocasião em que a humanidade tinha um novo começo. (Compare com Gênesis 1:29.) Deus mostrou, contudo, que, ao matar os animais para obter alimento, havia algo mais envolvido, além da dieta. Isto se dava porque o sangue duma criatura representava sua vida ou sua alma. Destarte, algumas traduções da Bíblia traduzem Gênesis 9:4 assim: “Somente não comereis da carne ainda com sua vida, isto é, o sangue.” — Tradução do Pontifício Instituto Bíblico de Roma; Almeida.
    Assim, este regulamento divino não era simples restrição dietética, tal como o conselho dum médico a um paciente para que evite o sal ou as gorduras. O Criador vinculou ao sangue um princípio moral de suma importância. Ao derramar todo o sangue que pudesse ser razoavelmente escoado, Noé e seus descendentes manifestariam seu respeito pelo fato de que a vida procedia do Criador e dependia dele. Mas, examinemos mais este assunto.
    O texto supracitado se aplica ao sangue animal. Será que o mesmo princípio se aplicaria ao sangue humano? Sim, com ainda maior força. Pois Deus prosseguiu dizendo a Noé: “Além disso, exigirei de volta vosso sangue das vossas almas. . . . Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.” (Gênesis 9:5, 6) Bem, se o sangue animal (representando a vida animal) tinha significado sagrado para Deus, obviamente o sangue humano tinha um significado sagrado de ainda maior valor. As pessoas que obedecessem a estas orientações divinas não derramariam o sangue dos (não matariam) humanos, nem comeriam quer sangue animal quer humano.
    No entanto, era esta ordem dada a Noé apenas uma restrição limitada ou temporária? Vigora para as gerações posteriores, inclusive para a nossa?
    Muitos peritos bíblicos reconhecem que Deus delineou aqui um regulamento que se aplicava, não apenas a Noé e sua família achegada, mas a toda a humanidade desde esse tempo — em realidade, todos os que vivem desde o Dilúvio pertencem à família de Noé. (Gênesis 10:32) Por exemplo, João Calvino, teólogo e reformador, reconheceu quanto à proibição do sangue que “esta lei foi dada ao mundo inteiro, logo depois do dilúvio”.2 E Gerhard von Rad, professor da Universidade de Heidelberg, refere-se a Gênesis 9:3, 4, como “um estatuto para toda a humanidade”, porque toda a humanidade descende de Noé.3
    Visto que a lei sobre o sangue foi vinculada à declaração de Deus que sublinhava a alta consideração pela vida humana, podemos avaliar as observações do Rabino Benno Jacob:
    “Assim, as duas proibições são da mesma classe. Constituem as exigências mais elementares de humanidade, no sentido literal da palavra. . . . A permissão de se comer carne, mas sem seu sangue, e a proibição de derramar-se sangue humano, indicam o lugar do homem dentro do mundo dos viventes . . . Em suma: a razão da proibição do sangue tem caráter moral. . . . Mais tarde, o judaísmo considerava este trecho como estabelecendo a ética fundamental para todo ser humano.” (Grifo acrescentado.)
    Com efeito, judeus posteriores compuseram, da primeira parte de Gênesis, sete “leis básicas” para a humanidade, e esta ordem dada a Noé e seus filhos sobre o sangue era uma delas.5 Sim, apesar de a maioria das nações não a seguirem, tratava-se realmente de uma lei para toda a humanidade. — Atos 14:16; 17:30, 31.
    Mais tarde, em sua lei dada à nação de Israel, Jeová Deus proibiu o assassínio, comprovando que o mandado que ele dera a Noé ainda vigorava. (Êxodo 20:13) De forma correspondente, Deus também proibiu o consumo do sangue, afirmando:
    “Quanto a qualquer homem da casa de Israel ou algum residente forasteiro que reside no vosso meio que comer qualquer espécie de sangue, eu certamente porei minha face contra a alma que comer o sangue e deveras o deceparei dentre seu povo.” — Levítico 17:10.
    Os israelitas só tinham permissão de usar o sangue animal de uma forma. Esta era para oferecê-lo como sacrifício a Deus, reconhecendo-o como o Dador da Vida, a quem estavam endividados. Ele lhes disse: “A alma da carne está no sangue, e eu mesmo o pus para vós sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas, porque é o sangue que faz expiação pela alma [ou vida] nele.” — Levítico 17:11.
    Que dizer do sangue dos animais mortos como alimento, e não para sacrifício? Deus disse a seus adoradores que o caçador que pegasse um animal selvagem ou uma ave “neste caso tem de derramar seu sangue e cobri-lo com pó. Pois a alma de todo tipo de carne é seu sangue pela alma nele. Por conseguinte, eu disse aos filhos de Israel: ‘Não deveis comer o sangue de qualquer tipo de carne, porque a alma de todo tipo de carne é seu sangue. Quem o comer será decepado da vida.’” — Levítico 17:13, 14; Deuteronômio 12:23-25.
    Tal derramamento do sangue não era simples ritual religioso; era, em realidade, uma extensão da lei divina fornecida a Noé. Ao matar um animal, a pessoa deve reconhecer que a vida dele provém de Deus e pertence a Ele. Por não comer o sangue, mas ‘derramá-lo’ sobre o altar ou no solo, o israelita, com efeito, devolvia a vida dessa criatura a Deus.
    Mostrar um israelita desrespeito pela vida, conforme representada pelo sangue, era considerado erro seríssimo. A pessoa que deliberadamente desconsiderasse esta lei sobre o sangue deveria ser ‘decepada da vida’, executada. (Levítico 7:26, 27; Números 15:30, 31) Certa medida de culpa resultaria de se comer até mesmo a carne, que contivesse sangue, dum animal que morresse por si mesmo ou que fosse morto por um animal selvagem. — Levítico 17:15, 16; compare com Levítico 5:3; 11:39.
    Poderia a lei de Deus quanto ao sangue ser posta de lado em ocasiões de emergência?
    A Bíblia responde que Não. Não havia nenhuma dispensa especial para tempos de grande estresse. Podemos ver isso pelo que ocorreu com alguns soldados de Israel, nos dias do Rei Saul. Famintos após longa batalha, eles mataram ovelhas e gado bovino e os ‘foram comer junto com o sangue’. Estavam famintos e não comiam deliberadamente o sangue, mas, na pressa de comer a carne, não se certificaram de que os animais fossem devidamente sangrados. Será que o fato de parecer tratar-se duma “emergência” desculpava seu proceder? Pelo contrário, seu rei designado por Deus reconheceu a ação deles como sendo ‘pecado contra Jeová, comer junto o sangue’. — 1 Samuel 14:31-35.
    Será que esta aversão correta ao sangue também se aplica ao sangue humano?
    Sim. E isso é inteiramente compreensível, pois a lei de Deus proibia o consumo de “qualquer espécie de sangue”, do “sangue de qualquer tipo de carne”. (Levítico 17:10, 14) Podemos ver como a nação judaica considerava esta lei por considerarmos um incidente que envolvia alguns dos judeus que tinham seguido e ouvido a Jesus. Em certa ocasião, ele falou figuradamente sobre ‘beber-se seu sangue’, pois sabia que, com o tempo, seu sangue seria derramado numa morte sacrificial e que isso resultaria em vida para aqueles que, com fé, aceitassem seu sacrifício. (João 6:53-58) Não compreendendo, evidentemente, que Jesus falava em sentido simbólico, alguns de seus discípulos judaicos ficaram chocados com as palavras dele e deixaram de segui-lo. (João 6:60-66) Sim, a idéia de ingerir sangue humano era completamente detestável para tais adoradores judaicos de Deus.
    QUE DIZER DOS CRISTÃOS?
    A lei mosaica apontava para a vinda e a morte sacrificial do Messias. Por isso, depois que Jesus morreu, os adoradores verdadeiros não mais estavam obrigados a cumprir a lei mosaica. (Romanos 10:4; 6:14; Colossenses 2:13, 14) As restrições dietéticas da Lei, tais como as que proibiam comer gordura ou a carne de certos animais, não eram mais obrigatórias. — Levítico 7:25; 11:2-8.
    Assim, aplica-se aos cristãos a proibição divina sobre o sangue?
    Este assunto mereceu consideração em 49 E.C., durante uma conferência dos apóstolos e anciãos de Jerusalém, que serviam como o corpo central de anciãos para todos os cristãos. A conferência foi realizada em resposta a uma questão sobre a circuncisão. Este concílio apostólico decidiu que os não-judeus que aceitaram o cristianismo não tinham de ser circuncidados. Durante a discussão, Tiago, meio-irmão de Jesus, trouxe à atenção do concílio outras coisas essenciais que ele julgou importante que incluíssem em sua decisão, a saber, “que se abstenham das coisas poluídas por ídolos, e da fornicação, e do estrangulado, e do sangue”. (Atos 15:19-21) Ele se referiu aos escritos de Moisés, que revelavam que, mesmo antes de ser dada a Lei, Deus desaprovava as relações sexuais imorais, a idolatria e o comer sangue, o que incluiria comer a carne, que continha sangue, de animais estrangulados. — Gênesis 9:3, 4; 19:1-25; 34:31; 35:2-4.
    A decisão do concílio foi enviada, por carta, às congregações cristãs. Acha-se agora incluída na Bíblia, como parte das Escrituras inspiradas, que são proveitosas “para ensinar . . . para endireitar as coisas”. (2 Timóteo 3:16, 17) A decisão foi:
    “Pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: de vos absterdes de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis.” — Atos 15:28, 29.
    Sim, muito embora os cristãos não estivessem sob a lei mosaica, era “necessário” que se abstivessem do sangue. Tratava-se apenas da opinião pessoal dos apóstolos? De forma alguma. Conforme declararam, essa decisão fora feita em harmonia com o espírito santo de Deus.
    A respeito desse decreto cristão, o Professor Walther Zimmerli, da Universidade de Gottingen, Alemanha, comentou:
    “A primeira congregação cristã-judaica, na decisão relatada em Atos 15, fez uma distinção entre a Lei dada a Israel, mediante Moisés, e a ordem dada [mediante] Noé a todo o mundo.” — Zürcher Bibelkommentare.
    A ordem de ‘abster-se do sangue’ não era simples restrição dietética, mas era sério requisito moral, conforme visto por ser tão sério para os cristãos quanto ‘absterem-se da idolatria ou da fornicação’.
    OS CRISTÃOS PRIMITIVOS E O SANGUE
    O concílio de Jerusalém enviou esta decisão explícita às congregações cristãs, com resultados positivos. Lemos em Atos, capítulo 16, a respeito de Paulo e seus associados: “Enquanto viajavam através das cidades, entregavam aos que estavam ali, para a sua observância, os decretos decididos pelos apóstolos e [anciãos] que estavam em Jerusalém. Portanto, as congregações continuavam deveras a ser firmadas na fé e a aumentar em número, dia a dia.” — Atos 16:4, 5.
    Era a decisão registrada em Atos 15:28, 29 um simples requisito temporário, e não uma obrigação que continuava a vigorar para os cristãos?
    Algumas pessoas sustentam que o decreto apostólico não era uma obrigação permanente para os cristãos. O livro de Atos, porém, indica claramente o contrário. Mostra que, cerca de dez anos depois de o concílio de Jerusalém expedir tal decreto, os cristãos continuavam a obedecer à “decisão, de que se guardem do que é sacrificado a ídolos, bem como do sangue, e do estrangulado, e da fornicação”. (Atos 21:25) Isto mostra que estavam cônscios de que a exigência de se absterem do sangue não se limitava aos conversos gentios em certa área, nem se aplicava apenas a um curto período.
    Mas, qual era a situação nos séculos posteriores, quando o cristianismo se difundiu a lugares distantes? Consideremos a evidência dos séculos que se seguiram à publicação do decreto registrado em Atos 15:28, 29.
    Eusébio, escritor do terceiro século, que é considerado o “pai da história da Igreja”, relata o que ocorria em Lião (agora em França) no ano 177 E.C. Os inimigos religiosos acusaram falsamente os cristãos de comer crianças. Durante a tortura e execução de alguns cristãos, uma jovem chamada Bíblias respondeu à falsa acusação, dizendo: “Como podemos comer crianças — nós, a quem não é nem lícito comer o sangue de animais?”
    Acusações falsas similares moveram o teólogo latino, Tertuliano (c. 160-230 E. C.), a apontar que, embora os romanos comumente bebessem sangue, os cristãos certamente não bebiam. Escreve ele:
    “Corai de vergonha pelos vossos modos desnaturais, diante dos cristãos. Nós nem mesmo temos o sangue dos animais em nossas refeições, pois estas consistem em alimentos comuns. . . . Nos julgamentos dos cristãos, oferecei-lhes chouriços cheios de sangue. Estais convictos, naturalmente, de que a própria coisa com a qual tentais fazê-los desviar-se do caminho correto lhes é ilícita. Como é, então, que, quando estais confiantes de que ficarão horrorizados diante do sangue dum animal, credes que se deliciarão ansiosamente com o sangue humano?”
    Também, referindo-se ao decreto de Atos 15:28, 29, ele afirma: “O interdito do ‘sangue’, nós entenderemos como sendo [um interdito] ainda mais do sangue humano.”9
    Minúcio Félix, advogado romano que viveu até cerca de 250 E.C., frisa o mesmo ponto, escrevendo: “Evitamos tanto o sangue humano que não usamos o sangue nem mesmo dos animais comestíveis em nossa alimentação.”
    A evidência histórica é tão abundante e clara que o Bispo John Kaye (1783-1853) pôde declarar categoricamente: “Os Cristãos Primitivos obedeciam escrupulosamente ao decreto proclamado pelos Apóstolos em Jerusalém, de abster-se das coisas estranguladas e do sangue.”
    Mas, são os ‘cristãos primitivos’ e as Testemunhas de Jeová dos tempos modernos os únicos que adotaram tal conceito baseado na Bíblia?
    De jeito nenhum. Comentando Atos 15:29, o perito bíblico católico, Giuseppe Ricciotti (1890-1964) se refere ao incidente de Lião (já descrito antes) como evidência de que os primitivos ‘cristãos não podiam comer sangue’. Daí, acrescenta, “mas, até mesmo nos séculos que se seguiram, até à Idade Média, encontramos ecos inesperados desta primitiva ‘abominação’ [ao sangue], devida inquestionavelmente ao decreto”.
    Exemplificando: O Concílio Qüinissexto, realizado em 692 E. C. em Constantinopla, declarou: “A Escritura divina nos manda abster-nos do sangue, das coisas estranguladas, e da fornicação. . . . Se alguém, daqui por diante, aventurar-se a comer de qualquer modo o sangue dum animal, se for um clérigo, que seja destituído; se for um leigo, que seja extirpado.” Similarmente, Otto de Bamberg (c. 1060-1139 E. C.), famoso prelado e evangelista, explicou aos conversos na Pomerânia “que não deveriam comer nenhuma coisa imunda, ou que morresse por si mesma, ou que fosse estrangulada, ou sacrificada aos ídolos, ou o sangue de animais”.
    Chegando mais perto de nossos tempos, Martinho Lutero também reconheceu as implicações do decreto de 49 E. C. Ao protestar contra as práticas e crenças católicas, inclinava-se a agrupar o concílio apostólico com concílios eclesiásticos posteriores, cujos decretos não faziam parte da Bíblia. Ainda assim, Lutero escreveu a respeito de Atos 15:28, 29:
    “Daí, se quisermos ter uma igreja que se ajuste a este concílio (visto ser correto, uma vez que é o primeiro e o principal concílio, e foi realizado pelos próprios apóstolos), temos de ensinar e insistir que doravante, nenhum príncipe, senhor, burguês, ou campônio, coma gansos, corça, veado, ou leitão cozinhado em sangue, . . . E os burgueses e campônios têm de abster-se especialmente da morcela e do chouriço com sangue.”
    No século dezenove, Andrew Fuller, considerado como “talvez o mais eminente e influente dos teólogos batistas”, escreveu a respeito da proibição do sangue, de Gênesis 9:3, 4:
    “Isto, sendo proibido a Noé, parece também ter sido proibido a toda a humanidade; nem deve tal proibição ser considerada como cabendo às cerimônias da dispensação judaica. Não só foi ordenada antes que tal dispensação existisse, mas também foi imposta aos cristãos gentios pelos decretos dos apóstolos, Atos XV. 20. . . . O sangue é a vida, e Deus parece reivindicá-la para si mesmo como sagrada.”
    Poderia o cristão pretender que o exercício do que alguns chamam de “liberdade cristã” lhe devia permitir ignorar esta proibição do sangue? Em seu livro The History of the Christian Church (A História da Igreja Cristã), o clérigo William Jones (1762-1846) responde:
    “Nada pode ser mais explícito do que a proibição, Atos XV. 28, 29. Podem aqueles que alegam sua ‘liberdade cristã’ com respeito a este assunto indicar-nos qualquer parte da Palavra de Deus em que esta proibição tenha sido subseqüentemente anulada? Se não puderem, talvez nos seja permitido perguntar: ‘Com que autoridade, exceto a dele mesmo, pode qualquer das leis de Deus ser anulada?’” — P. 106.
    A conclusão é clara: Sob a orientação do espírito santo, o concílio apostólico decretou que os cristãos que desejam ter a aprovação de Deus têm de ‘abster-se do sangue’, como Deus exige desde os dias de Noé. (Atos 15:28, 29; Gênesis 9:3, 4) Este conceito bíblico era aceito e seguido pelos cristãos primitivos, mesmo quando fazê-lo lhes custava a vida. E, através dos séculos, tal requisito tem sido reconhecido como “necessário” para os cristãos. Assim, a determinação das Testemunhas de Jeová de abster-se do sangue se baseia na Palavra de Deus, a Bíblia, e é apoiada pelos muitos precedentes na história do cristianismo.
    O SANGUE COMO REMÉDIO
    Até este ponto, estabelecemos que a Bíblia exige o seguinte: Um humano não deve sustentar sua vida com o sangue de outra criatura (Gênesis 9:3, 4) Quando se tira a vida dum animal, o sangue que representa tal vida deve ser ‘derramado’, sendo devolvido ao Dador da Vida. (Levítico 17:13, 14) E, conforme decretado pelo concílio apostólico, os cristãos devem ‘abster-se do sangue’, o que se aplica tanto ao sangue humano como ao sangue animal. — Atos 15:28, 29.
    Será que estas declarações bíblicas, contudo, se aplicam à aceitação da transfusão de sangue como um processo médico que salva a vida?
    Algumas pessoas contendem que a Bíblia proíbe a ingestão de sangue como alimento, e que isto difere fundamentalmente de se aceitar uma transfusão de sangue, um processo médico que não era conhecido nos tempos bíblicos. É válida tal posição?
    Não se pode negar que, nos tempos bíblicos, a lei de Deus tinha aplicação específica ao consumo do sangue como alimento. A administração intravenosa de sangue não era praticada então. Mas, muito embora a Bíblia não considerasse diretamente as técnicas médicas modernas que envolvem o sangue, ela, com efeito, as antecipou e abrangeu, em princípio.
    Note, para exemplificar, a ordem para que os cristãos persistam em ‘abster-se do sangue’. (Atos 15:29) Não se declara nada aqui que justifique uma distinção entre tomar sangue pela boca ou recebê-lo nos vasos sanguíneos. E, realmente, existe qualquer diferença básica, em princípio?
    Os médicos sabem que uma pessoa pode ser alimentada pela boca ou intravenosamente. De forma similar, certos remédios podem ser ministrados por vários meios. Alguns antibióticos, por exemplo, podem ser tomados por via oral, em forma de cápsulas, ou injetados nos músculos da pessoa ou no seu sistema circulatório (intravenosamente). Que dizer se tivesse tomado certa cápsula de antibiótico e, por manifestar perigosa reação alérgica, fosse avisado de que deveria abster-se de tal droga no futuro? Seria razoável considerar que tal aviso médico significava que não mais poderia tomar tal droga em forma de cápsula, mas poderia injetá-la seguramente em sua corrente sanguínea? Dificilmente! O ponto principal não seria a via de administração, mas que deveria abster-se completamente desse antibiótico. Similarmente, o decreto de que os cristãos têm de ‘abster-se do sangue’ abrange de modo claro receber sangue no corpo, quer pela boca, quer diretamente na corrente sanguínea.
    Quão importante é esta questão para as Testemunhas de Jeová?
    As pessoas que reconhecem sua dependência do Criador e Dador da Vida devem estar determinadas a obedecer às suas ordens. Esta é a posição firme que as Testemunhas de Jeová assumem. Estão plenamente convictas de que é correto obedecer à lei de Deus que ordena a abstenção do sangue. Nisso, não seguem um capricho pessoal ou algum conceito fanático e sem base. É por obediência à autoridade suprema do universo, o Criador da vida, que elas se recusam a introduzir sangue em seus sistemas, quer por comê-lo, quer pela transfusão.
    A questão do sangue para as Testemunhas de Jeová, portanto, envolve os princípios mais fundamentais sobre os quais elas, como cristãos, baseiam sua vida. Sua relação com seu Criador e Deus está em jogo. Ademais, crêem de todo o coração nas palavras do salmista: “As decisões judiciais de Jeová são verdadeiras; mostraram-se inteiramente justas. . . . Há grande recompensa em guardá-las.” — Salmo 19:9, 11.
    Algumas pessoas que só olham para os efeitos a curto prazo de suas decisões talvez duvidem de que obedecer à lei de Deus sobre o sangue possa ser considerado ‘recompensador’. Mas as Testemunhas de Jeová estão seguras de que obedecer às orientações de seu Criador é para o seu bem duradouro.
    Os cristãos primitivos também pensavam assim. A história mostra que sua obediência a Deus às vezes era provada ao máximo. No Império Romano, foram submetidos a grande pressão para realizar atos de idolatria ou para empenhar-se em imoralidade. Sua recusa em ceder poderia significar ser lançados na arena romana a fim de ser despedaçados por animais ferozes. Mas, tais cristãos se apegaram à sua fé; obedeceram a Deus.
    Pense só no que isso envolvia. Para os cristãos primitivos que eram pais, a recusa de violar a lei de Deus talvez significasse a morte de seus filhos. Todavia, sabemos pela história que tais cristãos não voltaram, temerosamente e sem fé, suas costas para Deus e para os princípios segundo os quais viviam. Criam nas palavras de Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem exercer fé em mim, ainda que morra, passará a viver.” (João 11:25) Por isso, apesar do custo imediato, tais cristãos obedeceram ao decreto apostólico de abster-se das coisas sacrificadas aos ídolos, da fornicação e do sangue. A fidelidade a Deus significava tanto assim para eles.
    Hoje em dia, também significa tanto assim para as Testemunhas de Jeová. Elas sentem corretamente uma obrigação moral de fazer decisões, quanto à adoração, para si mesmas e para seus filhos. Por esse motivo, as Testemunhas de Jeová não pedem a outrem, quer seja um médico, um administrador hospitalar ou um juiz, que faça tais decisões morais por elas. Não desejam que outrem tente assumir sua responsabilidade perante Deus, pois, na realidade, nenhuma outra pessoa pode fazê-lo. Trata-se duma responsabilidade pessoal do cristão para com seu Deus e Dador da Vida.

  6. É impresionante como as pessoas se perdem nas suas teorias porque letra mata mas o Espirito vivifica.porque tamanha preocupação em igualar o nosso sangue a animais .Irmão nos somos filhos do Deus Vivo que deu seu filho Jesus Cristo que derramou seu Sangue por nos provando que em nos a vida e vida em abundância a biblia nos ensina que devemos por amor dar a Vida aos nossos irmãos e por que não fazer uma simples transfusão.pessoas que defendem estas teorias frivolas na verdade nunca amaram nunca se comprometeram realmente com o amor ao proximo vivem e defendem leis vivem num mundo de fariseus. Se a vida lhes apresentar uma oportunidade que diz: Você pode doar seu sangue para ¨seu filho¨de uma morte eminente ela agirá conforme suas teorias porque o amor esfriou em seu coração de pedra não segue o exemplo de Jesus que diz:nisto conhemos o amor em que Cristo deu a vida por nos e devemos dar nossa vida pelos nossos irmãos .Irmãos é a VIDA è por amor se possivel morrer por quem amamos e então doar sangue que hoje é seguro não vai impedir a minha entrada no reino de Deus .Precisamos vivenciar o amor ao proximo incondicionalmente.E ter a certeza do amor de Cristo em nossas vidas .

  7. Nada do que há no mundo nos pertence, nem bens que ganhamos ou nos deram servirão para nos orgulharmos, já João manda lembrar disso; más tem um cap e versiculo que nos impele a agir com premura e vehemencia, aquele que fala sobre os bens do mundo, desde o proprio corpo que poderá ser maculado si mal empregado e está a nossa disposição. Diz Jõao na sua carta primeira no cap 3 vers 17 “quem pois tiver os bens do mundo capaces de sustentar a vida e, vendo o seu proximo necessitado não lhe abrir o coração das tenras compaixões, como poderá estar nele o amor de Deus?” sangue pode sustentar a vida? obvio que sim. Isto posto sai assim, nada do que posuimos nos pertence, um bombeiro poderá perder sua vida salvando ao seu semelhante maissss, não incorrerá em suicidio por colocar sua vida em risco, um doador poderá doar sangue para salvar um desconhecido, más si receber méritos ou dádivas materiais por isto, de nada valerá perante Deus.

  8. Como testemunha de Jeová precisamos obedece-lo em todos os seus mandamentos.Eu por experiência própria posso afirmar com plena certeza que existe muitos fatores que a maioria das pessoas,não sabem e que estão por traz de uma transfusão de sangue. Eu estava para fazer uma cirurgia e de ultima hora fui comunicada a comparecer ao Hospital,pois um dos cirurgiões, não aceitou minha posição.No entanto o Médico responsável pela cirurgia foi bem claro ao dizer: Você não precisa de transfusao sanguínea,mas o Anestesiologista é quem decide, e mesmo sem precisar ele transfunde. E assim eu não fiz a cirurgia com ele.Procurei outro cirurgião ele simplismente me disse:você não PRECISA DE SANGUE. Minha cirurgia foi um sucesso (quero salientar que essa cirurgia foi de grande porte). Minha recuperação foi ótima . Nós sabemos de métodos que devem ser usados e que realmente são eficazes, e estão disponível para qualquer pessoa que precisar, é só conhece-los e usa-los. A garantia desse sucesso é inquestionável.

  9. quanto ao comentário de que a lei só se refere ao sangue de amimais… É óbivio que os israelitas não comiam seres humanos… por isso Deus frizou o sangue de aminais… se Deus proibiu comer o sangue de animais, que dizer de Sangue humano? Acha que Deus permitiria isso? Além disso comer e Transfundir é a mesma coisa sim, para que um medicamento faça efeito rápido, ele é infundido nas vias. O isame de diabetes é feito com uma gota de sangue, onde é medito a quantidade de açucar no sangue… Por onde entra açucar no sangue? Comendo né! Tudo que comemos ou bebemos vai para o Sangue, poir isso Transfundir (ou comer) sangue(seja aminal ou humano) é um Grave pecado a Lei de Deus. Qualquer um que pare um pouco para refletir nos textos bíblicos chega a essa Conclusão. Essa é uma Lei tão importante que assim que Deus liberou a carne aos Humanos ele Proibiu Sangue, na lei a nação de Israel Ele proibiu o Sangue, quando formou um grupo de Cristãos VERDADEIROS Ele proibiu o Sangue!!!

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